Objetivos e intenções do Onda Negra.

O Onda Negra surge como um desejo de exteriorização de algumas reflexões que estão diretamente ligadas à questão racial. Almejamos com este espaço a problematização e discussão sobre temas como o racismo, o preconceito racial e a discriminação. Possivelmente, veremos também discussões sobre processos que apontam para uma predominância da desigualdade social e racial no nosso país.

Em alguns momentos, apresentaremos sugestões, análises e reflexões de filmes que abordam diretamente ou indiretamente a temática racial, ou, que dialoguem com a mesma. Salientamos que dentro desta proposta não deixaremos de abordar, por exemplo: a questão de gênero, os processos do mundo do trabalho e a questão racial, a questão da violência racial e, principalmente, alguns processos que envolvam reparação e ganhos para a população negra, como no caso das políticas de Ações Afirmativas.

Por último, explicamos que a origem do nome Onda Negra foi pensado a partir do livro da Celia de Azevedo, "Onda negra, medo branco". Nesse livro, a autora estabelece um intenso debate em torno das "questões senhoriais travadas por abolicionistas e imigrantistas ao longo do século dezenove. Decerto esse debate ainda se arrastaria pelo tempo não fosse a intervenção dos próprios escravos com suas ações autônomas e violentas, aguçando os medos da 'onda negra', imagem vívida forjada no calor da luta por elites racistas."

Sendo assim, julguei pertinente fazer uma alusão a esta "onda negra" que se tratava do medo das elites com os retrospectos das lutas anti-escravistas (ou por libertação dos negros escravizados) como por exemplo, a Revolução Haitiana; para tratar dos problemas contemporâneos que envolvem a condição do negro em nossa sociedade. Enquanto as lutas ganham força por ganhos de direitos, por igualdade de condições no mercado de trabalho em relação aos brancos, por políticas de reparação e de inclusão com as Ações Afirmativas, percebe-se que todo esse movimento ainda desperta em alguns grupos da nossa sociedade um incômodo, uma desconfiança e a meu ver um medo.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Opiniões preconceituosas de uma “falácia midiática pseudo intelectualizada”


O nome dela é Rachel Shererazade. Essa apresentadora âncora do jornal do SBT ficou conhecida por um vídeo em que tecia uma argumentação calorosa contra a corrupção e os mandos e desmandos da família Sarney no Maranhão. Até aí tudo bem! Quem não se empolgou com uma apresentadora de tele jornal com a coragem de fazer o que ela fez? Mas o pior vem a galope... Doce ilusão acreditar que por ela ser crítica num momento especifico sobre questões da política e da corrupção brasileira, ela, por tabela, teria uma consciência realmente crítica dos fenômenos sociais que vem assolando a grande parcela da população deste país que é pobre, moradores de periferia e negros.

Ela realmente mostrou quem é. Ela nos mostrou que não passa de mais uma “pseudo-crítica” que julga entender de determinados problemas do nosso país, como a questão da segregação espacial, discriminação racial, racismo, desigualdade social, dentre outros assuntos correlatos, mas na verdade ela não passa de uma “falácia midiática pseudo intelectualizada”. Ela demonstrou uma concepção que não é muito diferente da elite racista que acha que lugar de pobre é na periferia mesmo e que ir ao shopping é um direito que não lhes cabe. Concepções de uma elite branca abarrotada de visões estereotipadas, preconceituosas e racistas.


Vejam o vídeo e os absurdos pronunciados por ela:




“Não precisa ser sociólogo para perceber que a molecada que marca esses encontros quer, acima de tudo, reafirmar sua existência. E mesmo alguns tumultos que possam causar têm a ver com isso. É como se gritassem a plenos pulmões: “Ei, eu existo, pô!” Boa parte dos jovens negros e pobres da periferia nascem e morrem diariamente sem que o Estado esboce um bocejo de preocupação ou que o restante da sociedade fique sabendo” - Sakamoto.


Como o Sakamoto bem disse: não precisa ser um cientista social ou sociólogo para perceber a mensagem destes jovens que estão cansados da discriminação e dos olhares ofensivos quando tentam ir sozinhos ou em pequenos grupos nesses “espaços de luxo”. Por que esses jovens não podem fazer estes rolezinhos no shopping? A elite branca e rica tem medo dos arrastões? De assaltos? Esses problemas têm uma origem e têm cor? Eles persistem e não serão com comentários despreparados e preconceituosos, como os dessa apresentadora de tele jornal, que conseguiremos entender a raiz do problema social que estes jovens estão demonstrando para nós.

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